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domingo, 4 de abril de 2021

 Com os meus votos de Boas Festas!

VIAGEM AOS FINAIS DOS ANOS 60 DO SÉCULO PASSADO

A PÁSCOA DA MINHA INFÂNCIA BEIRÃ (Pinho, São Pedro do Sul, Viseu)
A Semana Santa, assim mesmo, com maiúsculas, era, na minha infância, anos sessenta do século passado – convenhamos que já lá vão uns anitos! – uma semana de verdadeiro luto.
Na verdade, o catolicismo, embora o Estado fosse oficialmente laico, marcava profundamente toda a quaresma, ou não começasse ela logo com aquela pungente, realista, mas pouco simpática, advertência da Quarta Feira de Cinzas: “Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar!”, no ato da imposição das cinzas na testa de cada cristão. A igreja e seus ministros vestiam-se quase sempre de púrpura, a cor da dor, da paixão. Porém, era especialmente na Semana Santa que o recolhimento, a tristeza, a angústia, a roçar a morbidez, perdoem-me a expressão, colhia o seu máximo significado. Isto no país rural, pelo menos, que era aquele em que então me situava. Ele eram os jejuns e as abstinências das sextas-feiras; era o ritual da Via-Sacra, onde a paixão e morte de Cristo, por vezes, dramatizadas, era repetido vezes sem conta; era a confissão e respetiva comunhão obrigatória, conforme preceituava a Santa Madre Igreja…
Depois, eis que chegava o Domingo de Ramos, um momento divertido para a ganapada que se entretinha cada um a desafiar o outro, numa espécie de bullying, dir-se-ia, nos dias de hoje, a ver qual deles levava o ramo de loureiro ou de alecrim — noutras paragens prevalecia o de oliveira — mais robusto ou mais enfeitado com uns quantos papos-secos, um pacotinho de meia dúzia de bolachas maria, um ou outro rebuçado e, eventualmente, uma laranjita, tudo pendente das suas ramificações. Tão divertido que a verdadeira “floresta”, por sinal, bem aromática e enfeitada, em que o espaço da igreja se transformava, com o seu farfalhar, mal deixava ouvir o sacerdote, muito menos vê-lo. Mas era assim que, simbolicamente, se celebrava a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, sob um coro de hossanas e ramos de palma e oliveira flutuando no ar, onde iria passar-se dos carretos e expulsar os vendilhões do templo.
Passadas essas pontuais emoções, guardava-se o loureiro bento junto à chaminé da lareira, para a eventualidade de ter de defumar a casa, em dias de trovoada, a fim de afastar os raios, e dava-se, então, início à Semana Santa, a última da quarentena ou Quaresma. As festas e romarias literalmente banidas durante os quarenta dias quase geravam, especialmente na juventude, um verdadeiro estado depressivo. Chegada a Quinta Feira Santa, as emissões de rádio quase se silenciavam. Suspendiam a emissão de música ligeira, por exemplo, passando a difundir quase exclusivamente noticiários e música de câmara. A igreja passava a ser o destino diário de católico que se prezasse, onde a liturgia invariavelmente versava sobre os últimos passos e padecimentos até à morte e crucificação de “Jesus Cristo feito Homem, à nossa imagem e semelhança, para nos redimir dos nossos pecados”. E assim se mantinham até às zero horas do Domingo de Páscoa, o domingo seguinte, momento que punha termo ao velório e em que o mundo cristão exultava de alegria, com foguetório e tudo, pela ressurreição do Filho do Homem, mas em que, paradoxalmente, só a mãe é conhecida.
Bom, mas o que me levou a escrever este arrazoado não teve propriamente a ver com os rituais religiosos, que valem o que valem, segundo a crença e a fé religiosa de cada um, mas com a mudança que se operava em nossas casas, ou melhor, nas casas dos nossos pais, humildes agricultores, como era o caso. Com efeito, como a Sexta Feira Santa era Dia Santo de Guarda, não se podia, ou antes, não se devia trabalhar; pelo menos, no campo, como era o meu caso. E convenhamos que nada tinha a ver com a falta de energias para tal, resultante do jejum e da abstinência da carne, o que, não havendo dinheiro para comprar peixe, tornava, obviamente, a alimentação menos calórica, menos nutritiva. Era por ser dia de luto profundo. E era um dia de descanso tão sagrado, tão intenso, que nem “os passarinhos buliam dentro das suas cascas”, diziam os antigos, os nossos maiores. Porém, tal princípio enfermava duma exceção: não se trabalhava no campo, trabalhava-se na casa. Na verdade, era dia de limpezas profundas, as tradicionais barrelas. Havia que preparar a casa para a visita pascal, para condignamente receber Cristo ressuscitado, no próximo domingo. Baldes e baldes de água e sabão rosa davam novo rosto aos soalhos de madeira, muitas vezes já carcomida pelo caruncho e encardida com aquele lixo incrustado que se foi acumulando ao longo dum ano inteiro. De joelhos, com aquelas duras escovas de piaçaba, era um trabalho bem árduo para quem tinha de o fazer, normalmente as mulheres da casa. Os homens iam-lhes chegando os baldes da água e iam fazendo outras tarefas domésticas como, por exemplo, cuidar dos animais, adiantar as refeições, ir ao monte apanhar rosmaninho para pôr na entrada da casa a servir de tapete à comitiva do compasso ou visita pascal… O certo é que aquele ar lavado, ligeiramente colorido e bem cheiroso conferido pelo sabão já ajudava a mitigar um pouco todo aquele estado psicológico pesado e sombrio de velório, prenunciando a alegria que iria brotar ao terceiro dia.
Entretanto, aproveitava-se também para fazer as barrelas especialmente com os lençóis de linho que, para o efeito, eram colocados a estagiar durante uns dias, dentro de grandes recipientes de cortiça, sob camadas de cinza, até serem retirados, lavados no tanque ou na água do ribeiro, e posteriormente postos a corar ao sol.
O dia de Páscoa começava com a obrigatória ida à igreja, cada um com a melhor indumentária de que dispusesse, eventualmente estreando até alguma peça, para assistir à celebração da missa, após o que se regressava a casa, preparando-se a mesa, no centro da sala, com uma toalha e um pratinho com meia dúzia de amêndoas e o envelope com a côngrua, a ser levantado pelo juiz da igreja ou pelo sacristão que habitualmente acompanhavam o pároco; o primeiro com a cruz e o segundo com a sineta a anunciar a chegada e a caldeirinha da água-benta com que o presbítero aspergia a casa, saudando e, entre aleluias, dando a boa nova da ressurreição aos presentes perfilados para beijar a dita com aquele pungente busto de Cristo pregado, quando, afinal, o que se vinha anunciar era a sua ressurreição.
Lá fora, numa qualquer encruzilhada do lugar, soavam cânticos alusivos ao momento, de que recordo aquele que começava assim: “Já os passarinhos cantam/A ressurreição do Senhor… Aleluia! “
E eu, ganapo, lá ia assistindo a tudo isto, com mais ou menos devoção, mas, confesso-o, muito mais interessado em me cruzar com os meus padrinhos de batismo, na expetativa de poder vir a receber de folar os 10 (1$00) ou 25 tostões (2$50), quando a generosidade falava mais alto, com que me brindavam, quando não era aquele bolo típico coberto de açúcar e bem saboroso que doceiras da Ponte, São Pedro do Sul, vendiam no adro da igreja, à saída da missa.
Ermesinde, véspera do dia de Páscoa de 2021
Miguel Henriques

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

VIRTUAL VS REAL






Virtual vs Real,
                                por Miguel Henriques


Aqueles últimos dias haviam-nos passado ambos tomados por uma tão estranha quão doce ansiedade. O desejo de se poderem mirar olhos nos olhos, de se tocarem, de sentirem aquele toque de pele que faz vibrar de emoção qualquer coração minimamente apaixonado, de conhecerem o tom das suas vozes, segredo que deliberadamente foram reservando para aquele encontro ao vivo, de conhecerem o cheiro recíproco, enfim, tudo isto lhes vinha tirando literalmente o sono. E aquela persistente curiosidade, que não cessava de lhes minar a mente, sobre qual seria a reacção do outro ao cruzarem os seus olhares pela primeira vez, então é que, qual bola de neve, não parava de lhes potenciar a ansiedade. Iriam enrubescer, ficar completamente apáticos, ao ponto de as palavras lhes ficarem entaladas na garganta ressequida pelo nervosismo, ou, pelo contrário, tudo fluiria com a química naturalidade de duas almas gémeas que, pese embora ansiosas, há muito anseiam por restabelecer a sua originária unicidade?
Conheceram-se pela net, sem câmara, nas pontas dos dedos que diariamente acariciavam o teclado como se do rosto do outro se tratasse. Apenas uma fotografia supostamente actualizada de cada um, a utilizada no perfil da sua página na rede social, descarregada para o ambiente de trabalho, lhes servia de refrigério para as suas angústias e emoções, já que o recurso ao telefone foi, desde o início, espontânea e intencionalmente posto de parte por ambos. Era essa foto bem exposta e ampliada no ecrã, cujo sorriso contagiante tocava indelevelmente o outro, que imprimia o cunho e o ritmo das conversas que iam fluindo pelos dedos recíprocos no matraquear dos teclados. E a verdade é que, nessa estática virtualidade, o sonho se coloria e enfunava à medida que os dias iam passando.
Com efeito, as perguntas eram mais do que muitas, e o momento tão almejado parecia nunca mais chegar, como se a sua ansiedade tivesse de escalar aquele íngreme calendário que parecia ter parado no tempo, travado por um qualquer génio do mal, avesso ao amor.
Eis que, finalmente, esse dia chegou. Luana, no sentido de se sentir mais segura e confortável, havia convidado uma amiga para a acompanhar naquela que já vinha considerando a mais fascinante aventura da sua vida, pese embora isso fosse um segredo que apenas para si guardara. Uma amiga a quem, conhecendo-a há muito, não passou despercebido o estranho nervosismo que de si se apoderara, mas que soubera conter a curiosidade, esperando para ver, pois a amizade não pode ser beliscada pelo simples facto de cada um pretender guardar exclusivamente para si um simples núcleo de privacidade. O rosto, os olhos, as incontornáveis janelas do edifício humano, raramente conseguem esconder o que nos vai no coração… e na alma. No entanto, não quis estragar o momento da amiga com perguntas inoportunas ou menos pertinentes que pudessem denunciar uma qualquer tentativa de devassa de um possível segredo íntimo que aquela eventualmente guardasse e quisesse reservar para si e para os seus botões.
Enquanto isso, Mel Igu, personagem principal no evento que iria ter lugar, aguardava, nervosamente, no exterior do auditório, a aparição daquela que nos últimos tempos lhe vinha tomando conta de todos os seus instantes, absorvendo por completo os seus pensamentos, dominando integralmente as suas emoções. Desde o dia em que pela primeira vez, no silêncio dos seus aposentos, os seus dedos cúmplices trocaram declarações de amor recíproco, os dias haviam passado a ser bons ou maus conforme o estado de humor do seu relacionamento. Aquele constante correr para o computador, na expectativa de “encontrar” o outro, para com ele compartilhar o seu dia-a-dia, tornara-se já não só uma simples rotina, mas uma necessidade premente para o anímico bem-estar de qualquer deles. Um dia-a-dia partilhado nas pontas dos dedos, sem imagem nem som, apenas o do estrepitoso bater do teclado ao ritmo das emoções.
Escassos minutos antes da hora aprazada para o início do evento, numa altura em que os olhos ansiosos de Mel Igu varriam o horizonte, eis que vislumbra Luana a aproximar-se, passo estugado, mas seguro, acompanhada pela amiga, também esta uma velha amiga e conhecida daquele, mas que já não via desde a infância. Escusado será dizer que os olhares de Luana e Mel Igu, emoldurados por um lindo e enternecedor sorriso, ficaram presos um no outro, como que por hipnose, até ao momento em que os seus rostos se tocaram pela primeira vez, naquele ósculo bilateral, delicado, elegante, momento em que pareceu terem-se fechado para saborearem até à exaustão toda a magia do encontro. Só a aproximação da amiga para o cumprimento da praxe teve o condão de quebrar aquele encanto, a que, por cortesia, ele teve de anuir. Mas a hora da conferência aproximava-se e, noblesse oblige, a plateia, bem como a pontualidade que sempre fora apanágio do orador, reclamavam a sua presença imediata, pelo que só no final do evento poderiam dar sequência àquele desfilar de emoções que os assaltara.
Encerrada a sessão, eram horas de jantar, e nada melhor do que uma refeição a dois, em torno duma mesa, num recatado restaurante das redondezas, onde os olhares alheios não pudessem quebrar ou sequer perturbar o encanto do momento.
- Adorei aquela tua dissertação, Mel Igu, sobre o amor conjugal e toda a problemática que os anos de casamento acarretam para a convivência pacífica e harmoniosa do casal!
- Obrigado, Luana! Como referi e toda a gente sabe, na vida do casal, nem tudo são rosas. É natural que, mais cedo ou mais tarde, vá surgindo alguma conflitualidade. A questão está em saber, ser capaz de avaliar aquilo por que vale a pena lutar, aquilo que é viável e pode contribuir para a saudável estabilização e consolidação dos afectos, e aquilo que, a manter-se, apenas vai contribuindo para o desgaste da relação e dos seus protagonistas, aumentando a sua inevitável conflitualidade no palco da tragédia conjugal. E, em face disso, como é óbvio, há um momento em que ambos têm de reflectir e, se necessário for, dar um murro na mesa, dizer basta, partindo para outra, como se costuma dizer, sem pudores nem preconceitos, sejam eles de que natureza forem. A vida, em meu entender, deve celebrar o amor!
- És um hedonista, Mel Igu, já deu para perceber!
- Não tenhas dúvidas, Luana! Para mim, a vida só faz sentido enquanto ela nos conseguir proporcionar algum prazer. A dor, o sofrimento, a doença, são meros degraus na íngreme escadaria, mais ou menos longa, que desce para a morte. É a natureza das coisas a ditar o seu curso! Tudo o que o Homem tem feito é contrariá-la com recurso à medicina e a outros ramos da ciência. E, como disse, quer na saúde física, quer na psíquica ou sentimental, quando a felicidade, o prazer, passaram a ser meras miragens, insistir na caminhada não é mais do que prolongar a agonia.
- Bom, mudemos de assunto! E que tal brindarmos ao nosso encontro? Ou será que é reencontro?!
- Seja aquilo que for, Luana, o que importa é que estejamos assim, bem juntinhos, de olhos nos olhos, frente a frente, mãos firmes e dedos solidamente entrelaçados nos braços estendidos sobre a mesa. Brindemos!
- Que lindo! – retorquiu Luana, embevecida – Brindemos!
E o brinde foi selado com um longo beijo, um beijo com sabor, um sabor real, sentido no entrecruzar das línguas sôfregas. O mundo fechou-se em seu redor, naquele abraço absorvente que teve o condão de lhes incendiar a libido. As palavras saíram de cena, dando lugar aos sentidos, os dedos abandonaram a solidão do teclado, para se ocuparem com coisas bem mais reais e deliciosas. O virtual acabara de representar o seu papel.
- O toque, Mel Igu! Como eu sentia falta disto! Nada pode suprir a falta do outro, quando o amor os une e nele se plasmam todos os seus sonhos e emoções. Nenhuma virtualidade, por mais cor-de-rosa que se pinte, nos preenche tanto como um simples entrelaçar dos dedos!
- Aproveitemos o momento, Luana! Que ele venha a ser a sementeira afável e generosa que, no futuro, nos venha a proporcionar o melhor dos frutos, para que, se possível, de mãos dadas, neste enlevo, consigamos sulcar a vida reduzindo ao mínimo os escolhos que pelo caminho nos forem surgindo.
E de novo se ergueram os copos: «chim-chim!»
- À nossa! – proclamaram ambos, em uníssono.



(In “A Arte Pela Escrita Oito – Coletânea de Prosa e Poesia”, organização e edição do sítio Escritartes e Mosaico de Palavras Editora, 2015, Porto, pág. 323 a 326)

segunda-feira, 4 de novembro de 2019






OUTONO


Chegou o outono,
Casmurro, sorumbático,
Com aquele incontornável
Bafiento, soturno cheiro a morte.
Desculpem-me aqueles que o apreciam,
Mas, sinceramente,
Eu detesto-o,
Ou melhor, abomino-o!
Traz-me o desconfortável frio,
Leva-me o delicioso calor,
Congela-me, inclemente, a alma,
Num glaciar de infindável nostalgia.
Despe-me as árvores,
Desnuda-me a natureza…
E que lindas que elas estavam!
Como é triste aquele colorido de morte
Das folhas arrancadas pelo vento
Como pedaços de vida
À vida arrebatados,
Pairando, moribundas, no ar,
Num sonambulismo de morte,
Até jazerem, inertes, no chão,
Espezinhadas por tudo o que se move.
“Ah, mas são lindas,
Multicores,
Nas árvores ou no chão,
São telas magistrais,
Obras-primas, divinais,
Pura arte de geniais pintores,
Em seus inefáveis momentos de inspiração!”
Não! E não! E não!
Para mim são o prelúdio da morte,
O fim do ciclo da vida,
A não merecer sequer comiseração.
A inevitável corrida aos têxteis
Priva-me daquela feminina sensualidade
Que o impudico calor estival,
Generosamente me oferece.
Ah, que regalo para os olhos!
E que bálsamo para a alma!
Outono é prenúncio de inverno,
Daquele monótono cinzento,
Lutuoso, húmido e frio,
Em que busco um pouco de prazer
No sono embalado
Pelo monótono rufar da chuva
Sobre a impávida cobertura.
Hmm! Que bem me sinto no aconchego do lar,
Quando, lá fora, o temporal agreste
Açoita, impiedosamente, os viventes.
A natureza tinge-se de luto.
Silenciam-se as aves, os insetos,
Adia-se a vida,
Letárgica, preterida…
Não! Não gosto do outono
E, creiam, odeio o inverno.
A primavera é linda,
Sim, de acordo,
Não digo que não!
Renova-se a natureza,
Outros sons, outras cores,
Outro perfume, outra beleza,
Brilha o sol, aquece o chão…
Mas, pudesse o tempo,
A meu contento,
Ter uma só estação,
Essa seria, indubitavelmente,
O meu tão voluptuoso verão.


Ermesinde, 4 de novembro de 2019

Autor:
Miguel Henriques




quinta-feira, 25 de abril de 2019

25 de Abril

                          25 de Abril



O dia em que o país acordou dum longo pesadelo,
entoando, em uníssono, audaciosas loas à liberdade.
O dia em que o país deixou de ser de alguns,
para passar a ser de todos,
porque todos a ele pertencíamos.
O país que deixou de ser apenas masculino,
para passar a ser de todos,
sem distinção de sexos, credos, raças,
cores, etnias...
O dia em que choveram cravos
brotando nos canos das espingardas
por onde dantes jorrava sangue
da mesma cor.
O dia em que se romperam as grilhetas ao pensamento
e a mordaça à expressão.
Por tudo isto e muito mais,
pois que viva a revolução!



sábado, 23 de março de 2019

Dia Mundial da Poesia

A propósito do Dia Mundial da Poesia:


Poesia, pois então!
É o grito da alma,
Quiçá do coração!
São torrentes de lava
Que na solidão arrefece.
Lava arrastada nas lágrimas
Dum feérico entardecer,
Onde o brilho do Sol fenece
No silêncio avaro do teu ser.
(inédito)
Autor:
Miguel Henriques

Imagem da WEB



sábado, 16 de março de 2019

Solta-se a pluma...




Solta-se a pluma
à brisa corrente,
cúmplice insana
de fúteis emoções.
Ameaça que cai,
mas não cai.
A cada guinada,
um novo alento.
E neste peregrino deambular,
nos braços de zéfiro arrebatada,
cumpre o seu destino
a errante semente alada,
buscando solo fértil
onde germinar e florir.


(inédito)

Autor:
Miguel Henriques
Foto:
WEB


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Sessão da autógrafos

                            Feira do Livro do Porto

                             Sessão de autógrafos

                A quem, porventura, possa interessar informo que, logo à tarde, a partir das 15 horas, irei estar na Feira do Livro do Porto, junto ao stand 41, da editora Mosaico de Palavras, para dois dedos de conversa com os amigos/leitores.