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quarta-feira, 12 de setembro de 2018
terça-feira, 11 de setembro de 2018
O MEU COLAR DE PÉROLAS
O MEU COLAR DE PÉROLAS
Pelo teu rosto
Rolou uma lágrima,
Depois outra
E mais outra.
Rolou uma lágrima,
Depois outra
E mais outra.
Corri,
Lesto,
A resgatá-las à rudez
Inclemente,
Imunda,
Do chão.
Cálidas,
Doces,
Transparentes,
Nas minhas mãos
Cristalizaram,
Lenta e suavemente,
Como pérolas preciosas
Que a saudade criou!
Com elas fiz um longo colar!
Liguei-as com o sentimento
Terno e doce que nos tomou.
Fechei-o com o mosquetão do amor
E coloquei-to ao peito,
Onde o brilho se potenciou.
Que mostruário de sonho,
Emoldurado pelo teu sorriso!
Como ficaste linda!
E é neste relicário de afetos
Que guardo, ainda,
E para a posteridade,
Este magnífico,
Soberbo,
Manancial de emoções.
(inédito)
Autor:
Miguel Henriques
sábado, 8 de setembro de 2018
Feira do Livro do Porto
Etiquetas:
DE LAMEGO AO LUBANGO,
E agora?,
Feira do Livro do Porto,
MIGUEL HENRIQUES,
PARA LÁ DAS NUVENS HÁ LUAR,
VIOLETAS SELVAGENS
Local:
Porto, Portugal
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
Fósseis?
À atenção dos paleontólogos ou paleontologistas!
Serão fósseis? De que espécie animal/vegetal?
O maior tem um comprimento aproximado de 40 cm. O menor tem cerca de metade.
Deparei-me com esta pedra de xisto, no pavimento dum trilho da Serra de Santa Justa, em Valongo, em 4 de Agosto de 2018.
Eis as fotos:
domingo, 6 de maio de 2018
À MINHA MÃE
À MINHA MÃE
Mãe, mãe querida,
foste tu que me deste a vida
e, apaixonadamente,
para ela me criaste;
desde que, num momento solene,
de amor, de ternura, de desejo,
em ter um filho sonhaste!
Filho este
que em teu ventre virgem,
como um sonho sagrado,
concebeste!
Mãe, mãe querida,
quantas noites
sem dormir passaste,
após dias e dias de canseira,
de trabalho árduo,
roubando ao teu corpo,
à tua saúde,
o descanso de que tanto careciam,
para, num velar constante,
com tuas mãos calejadas
— mas suaves! —
me acariciares
e me embalares.
Mãe, mãe querida,
perdoa-me pelo mal feito
e bem que não fiz!
Perdoa-me pelas lágrimas
que te fiz verter
e dores que te fiz sofrer!
Perdoa-me pelo perdão que me dás
sem tão pouco eu o merecer!
Mãe, mãe querida,
obrigado pela vida que me deste;
pelo muito mais que quererias dar
e não pudeste!
Obrigado por tanto amor
que me tens!
Obrigado por ti
e por mim.
Obrigado por tudo, enfim...
Obrigado,
obrigado, querida mãe!
In HENRIQUES, Miguel, PARA LÁ DAS NUVEN HÁ LUAR, Porto, Mosaico de Palavras, L.da, 2015
terça-feira, 1 de maio de 2018
VIOLETAS SELVAGENS (romance)
Agora que o sol ou uma boa sombrinha convidam à leitura, porque não aproveitar para ler uma belíssima história de amor e paixão?
Já agora, permitam-me que deixe aqui uma das minhas sugestões:
Para o adquirir autografado, deverá solicitá-lo através do email:
miguelhenriques53@gmail.com
Obrigado e boas leituras!
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Há 43 anos...
"Domingo, 29 de dezembro (1974).
Parto com cerca de duas dezenas de homens do meu grupo de combate para uma localidade chamada Moxico Velho, uma pequena localidade situada a cerca de 20 km a sul da cidade do Luso, onde, segundo rezam as crónicas, terá sido fundada a primeira sede provincial do Moxico, a fim de montarmos segurança ao brigadeiro Francisco Abreu Riscado, comandante da Zona Militar Leste e Governador Civil do Distrito, que ali vai participar na cerimónia da inauguração de uma igreja católica.
Graduados, integrando o corpo de segurança, apenas o alferes Silva e eu.
Só fui informado da operação na véspera, sem que me tivessem incumbido do que quer que fosse relativamente ao seu planeamento. Confiei que tal tarefa tivesse sido atribuída ao alferes, uma vez que era o comandante da força. Porém, nada! Sem termos tomado o pequeno-almoço, saímos do destacamento pelas seis e meia da manhã, sem que tivesse havido a preocupação por parte de quem quer que fosse de efetuar o reconhecimento ou sequer um estudo prévio do percurso. Tão-pouco se sabia a que distância ficava dali. Levávamos apenas connosco um rapazito de cor negra, indígena, ainda adolescente, a servir-nos de guia.
Tínhamos já penetrado na floresta, alguns quilómetros, através de uma picada, quando o guia, que seguia na viatura da frente, comandada pelo alferes, mostrando-se algo baralhado, lhe confessou não ter a certeza de estarmos no caminho certo. O alferes manda parar a viatura, apeia-se e dirige-se a mim, que comandava a segunda viatura, na sua retaguarda:
— Henriques, estamos tramados! Acho que andamos perdidos. O puto diz que não sabe sequer onde estamos.
— Eu também não! — respondi, secamente, embora respeitando o embaraço e algum nervosismo que a palidez do seu rosto denunciava, demonstrando algum desconforto por não ter sido tido nem achado no planeamento da operação.
— E se o chão está minado? — atirou o Silva.
— Pois! – retorqui eu, franzindo o sobrolho.
— Pois é! Pode ser uma grande chatice! — volveu ele.
— Deixa lá! Se estiver, eu hei de ter tempo de me aperceber! Tu é que vais à frente! — ironizei, no sentido de lhe dar a entender que, na guerra, tudo deve ser estudado e planeado ao pormenor, por mais simples que se nos afigure a operação, coisa que, no caso, não havia acontecido, sem qualquer culpa da minha parte, mas que nem por isso deixava de estar ali a correr os mesmos riscos que ele, bem como todos os homens à nossa, minha e dele, responsabilidade.
— Estás a ser mauzinho, Henriques! — replicou.
— Vá, vamos lá, meu alferes! A guerra já acabou há uns meses e o piso está puído, sinal de que têm por aqui passado viaturas, recentemente! Mas é pena que não tenha sido feito previamente um bom trabalho de casa! Aprendi que, na guerra, os erros são todos fatais.
E vendo que o alferes acusou algum embaraço, não tendo desgrudado o seu olhar do meu, enquanto encolhia os ombros, optei por desdramatizar a situação:
— Bem, não há de ser nada! Agora, precisamos é de descobrir o caminho para o objetivo! Vamos!
Fizemos inversão de marcha, pedimos uma informação a um adulto que encontrámos pelo caminho e lá retificámos o percurso.
Transcorridas cerca de duas penosas dezenas de quilómetros, com a apreensão patente no rosto do alferes, através da tal picada, toda esburacada, lá atingimos o nosso objetivo, um aldeamento aparentemente isolado no mato. Posicionámos o pessoal em torno do perímetro da igreja e aguardámos pela cerimónia que, como é habitual nestas circunstâncias, se foi alongando em sucessivos momentos solenes. À medida que o tempo passava, a fome e a sede apertavam, e nós ali, impávidos e serenos, sob um sol abrasador. Os soldados começavam a ressentir-se disso mesmo, expressando os seus queixumes. O alferes e eu lá conseguimos reunir uns trocados que, por mero acaso, levámos connosco, e com eles comprámos, numa pequena taberna existente no lugar, uns pacotes de bolachas, única coisa que havia, e distribuímo-los pela rapaziada. Comi algumas, o que me agravou ainda mais a sede. Infelizmente, ali por perto, não vislumbrámos nada com que nos pudéssemos dessedentar.
Fosse a fome, a sede, o stress causado pelo improviso da situação, o calor, a altitude do lugar, fosse o que fosse, ou tudo junto, a verdade é que comecei a sentir-me mal. Confidenciei isso mesmo ao alferes que, no momento, conversava comigo, enquanto me aliviava do peso do cinturão com as cartucheiras, dizendo-lhe que a minha visão estava a ficar turva. De repente, segundo ele, caí de bruços, em prancha, inanimado. Acordei, qual pietá, nos seus braços, rodeado de soldados. Espantado com a situação, perguntei o que é que se tinha passado. Senti, então, enquanto falava, terra na boca e uma ardência no lábio superior, que sangrava. O alferes, completamente lívido, a perguntar-me o que é que eu tinha tido… Eu idem… O corpo, de tão dorido, parecia ter acabado de ser atropelado por um comboio. Fui transportado para uma cama de uma habitação do lugar e, aí, fui recuperando, aos poucos, as minhas forças, depois de me terem mitigado a fome com uma fatia de bolo-rei e um sumo de maracujá.
Pelas treze horas, encetámos o regresso ao aquartelamento, onde chegámos uma hora depois. Aqui, embora a disposição e o apetite não fossem lá grande coisa, meti qualquer coisa à boca e parti para a cidade, em visita aos amigos Gomes da Costa, com quem vim a jantar, nessa noite.
Pernoitei no quarto que detinha na messe de sargentos, sita na zona residencial militar, na cidade e, pela manhã seguinte, regressei ao destacamento, onde fui cumprir a rotina.
O primeiro dia do ano da independência daquele novo Estado soberano foi passado com os amigos Gomes da Costa e outros conterrâneos meus residentes na capital do Moxico. De novo, ou de diferente, nada. Um dia, para mim, feliz ou infelizmente, igual em tudo a todos os outros. "
In HENRIQUES Miguel, 2016, "DE LAMEGO AO LUBANGO - memórias dos últimos dias da guerra colonial", Mosaico de Palavras, Porto.
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